Mercado Pet: entenda o impacto no setor imobiliário
A expansão acentuada do mercado voltado aos animais de estimação, impulsionada de forma expressiva pelas mudanças de hábitos durante a pandemia, estabeleceu novas dinâmicas estruturais na sociedade que reverberam até os dias atuais. Os animais de estimação se tornaram membros da família, e o mercado, desde o varejo até o imobiliário, precisou se reinventar para acolher essa nova configuração de lar.
A Nova Família Brasileira: Mais Pets do que Crianças
As mudanças demográficas no Brasil explicam muito desse fenômeno. Entre 2010 e 2022, aumentou significativamente o número de pessoas morando sozinhas (19%) e de casais sem filhos (20%), espaços afetivos que vêm sendo preenchidos pelos pets.
Atualmente, o Brasil possui a terceira maior população pet do mundo, somando impressionantes 168 milhões de animais de estimação. Para se ter uma ideia dessa magnitude, os dados indicam que o país já tem mais animais de estimação do que crianças: são cerca de 160,9 milhões de pets em comparação a aproximadamente 39 milhões de crianças de até 13 anos.
Em 2023, o Brasil contava com cerca de 62 milhões de cães e quase 31 milhões de gatos. O perfil do tutor também mudou: uma pesquisa de 2023 apontou que 29% dos tutores de cães os consideram membros da família e 16% os veem como filhos, refletindo uma forte ligação emocional.

Resiliência Econômica e o Orçamento Dedicado aos Animais
A consolidação dos animais no núcleo familiar reflete-se no desempenho financeiro do setor. A indústria brasileira de cuidados para animais de estimação demonstra expressiva solidez, tendo gerado uma receita de 68,7 bilhões de reais em 2023, com projeções de alcançar a marca de 78 bilhões de reais até 2025.
Os pets estão blindados contra cortes no orçamento familiar. Um estudo da Opinion Box demonstrou que 77% dos tutores gastam o que for preciso pelo bem-estar de seus animais, mantendo ou até aumentando os gastos com os pets mesmo quando o financeiro aperta e outras despesas não essenciais são cortadas . Os custos médios de manutenção corroboram esse investimento contínuo, situando-se em torno de 425 reais mensais para cães e 205 reais mensais para gatos.
Planejamento Urbano e o Conceito Pet-Friendly
A cidade como um todo tem se desenvolvido para ser pet-friendly. De acordo com o Google Trends (2024), as buscas pelo termo pet friendly estão em ascensão no Brasil, refletindo a procura por shoppings, hotéis e restaurantes adaptados. Estabelecimentos de rua e bairros inteiros buscam atrair os tutores, que valorizam a proximidade a petshops, clínicas veterinárias 24 horas, hospitais e praças.
Hoje, os espaços urbanos precisam oferecer infraestruturas como parques com áreas gramadas e cercadas para os animais correrem soltos, bebedouros, dispensadores de sacos para dejetos e sinalização de que são bem-vindos. Essas comodidades não apenas aumentam o bem-estar animal, mas também facilitam o convívio social, transformando o passeio com o pet em um momento de encontro e lazer para os tutores.
O Imóvel Ideal: Demandas Inegociáveis do Novo Consumidor
Historicamente, residir em um apartamento impunha severas limitações à posse de animais, panorama que se inverteu radicalmente. De acordo com levantamentos realizados pela Brain Inteligência Estratégica em 2024, cerca de 26% dos compradores de imóveis já definem a existência de infraestrutura dedicada aos pets, como playgardens, áreas de circulação exclusivas e espaços para banho e tosa, como um pré-requisito inegociável na decisão de compra.
Como resposta direta a essa demanda, o setor imobiliário acelerou a inclusão dessas chamadas facilities: atualmente, 43% dos novos lançamentos de edifícios nas grandes metrópoles brasileiras oferecem algum espaço destinado aos animais em suas áreas de lazer. O mercado apresenta um amplo potencial de modernização, haja vista que menos de 1% dos condomínios antigos ou já prontos possuem esse tipo de formalização em suas infraestruturas.
Empreendimentos de Alto Padrão e o Novo Nível de Exigência
É no segmento imobiliário de luxo que as adequações alcançam seu grau máximo de sofisticação e especialização. Em bairros nobres da capital paulista, a exemplo da Vila Madalena, Moema e Aclimação, os animais de estimação deixaram a categoria de presenças toleradas para assumirem o status de moradores prioritários (VIPs).
Nesse nicho, os projetos habitacionais oferecem complexos completos de cuidado animal. Alguns condomínios incluem miniparques com revestimentos apropriados, estruturas de agility, espaço pet care aliado a serviços pay-per-use com passeadores, creche e até pet spa totalmente equipado.
Para as incorporadoras, a aposta neste conceito não representa mais uma escolha estratégica opcional. O mercado de alto padrão compreendeu que agregar o bem-estar da família multiespécie ao escopo arquitetônico é um fator mandatório para atestar a valorização e a competitividade do imóvel no cenário atual.
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